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Escala de Borg

Escala de Borg: como usar a percepção subjetiva de esforço para treinar na intensidade certa sem depender de monitor cardíaco.

por Redação RH FitnessPublicado em 2 min de leitura
Escala de Borg

A escala de Borg mede a intensidade de um esforço físico pela sensação subjetiva de quem está treinando, numa escala numérica. É uma alternativa prática à frequência cardíaca para quem não usa monitor cardíaco ou quer uma referência mais simples de "quão difícil está esse treino".

Quem criou a escala e por quê

A escala foi desenvolvida pelo fisiologista sueco Gunnar Borg nos anos 1960-70, com o objetivo de dar um jeito confiável de medir esforço percebido em contextos clínicos (como reabilitação cardíaca, onde monitorar frequência cardíaca de perto nem sempre é prático) e esportivos. A validação por décadas de uso em pesquisa é o motivo dela continuar sendo referência até hoje, décadas depois de criada, tanto na área médica quanto no treinamento esportivo.

Como funciona a escala

A versão original vai de 6 a 20, e não é um número aleatório: Borg escolheu essa faixa de propósito para se aproximar da frequência cardíaca de uma pessoa saudável dividida por 10 (uma FC de 130 bpm corresponde, grosso modo, a uma nota 13 na escala). Nela, 6 representa esforço nenhum e 20 representa esforço máximo absoluto. Existe também uma versão simplificada, chamada CR10 (category ratio 10), que vai de 0 a 10 e é mais intuitiva pra uso no dia a dia: 0 é repouso total, e 10 é o esforço mais intenso que a pessoa consegue imaginar. É essa segunda versão que a maioria dos corredores usa hoje.

Como aplicar na corrida

Numa rodagem leve, o esforço percebido deve ficar entre 3 e 4 (na escala de 0-10), confortável, onde ainda dá para conversar em frases completas. Num treino de ritmo, entre 6 e 7, desconfortável mas sustentável, perto do limiar de lactato. Num treino intervalado ou tiro, entre 8 e 10 nos trechos fortes, esforço que só se sustenta por poucos minutos. Usar essa referência junto com o teste da fala cobre bem a maioria das situações de treino sem precisar de nenhum equipamento.

Vantagem sobre a frequência cardíaca

A percepção de esforço reage instantaneamente a fatores que a frequência cardíaca demora a refletir (como calor ou fadiga acumulada de dias anteriores). Por isso muitos treinadores recomendam usá-la em conjunto com as zonas de frequência cardíaca, não como substituta, cruzando as duas informações para calibrar o esforço real de cada treino.

Limitação: é subjetiva por natureza

A mesma nota 7 pode representar esforços fisiologicamente diferentes em dois corredores, ou até no mesmo corredor em dias diferentes: sono ruim, estresse ou uma refeição pesada antes do treino podem fazer o mesmo pace "parecer" mais difícil sem que o condicionamento tenha piorado de verdade. Isso não invalida a ferramenta, mas explica por que ela funciona melhor pra guiar decisões dentro de um treino (ajustar intensidade em tempo real) do que pra comparar objetivamente um treino contra outro ao longo de semanas. Pra isso, pace e frequência cardíaca continuam sendo referências mais estáveis.

RH

Redação RH Fitness

Conteúdo sobre corrida de rua escrito e revisado pela equipe RH Fitness: treino, tênis, equipamentos e provas, sempre com dado real por trás.

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